Artigo: “Novos tempos x Diferentes gerações”

Será que temos abertura aos novos tempos?

As diversas gerações encontram espaço mútuo para desenvolver e mostrar seu potencial?

Como o antigo e o novo podem conviver simultaneamente, visando o bem social?

Estamos cientes de que, neste início de século XXI, a sociedade vive um momento inédito, em que cinco gerações convivem, trabalham, trocam experiências tanto em nível familiar quanto em organizações e instituições?

 

Essas reflexões necessitam ser feitas ao olharmos ao redor e vermos tantos avanços tecnológicos que marcam a vida atual e, ao mesmo tempo, uma transformação no modo de estar nesta sociedade.

O fenômeno da convivência mútua de cinco gerações ocorre devido à diminuição na taxa de natalidade, a melhorias nas condições de saneamento básico e, principalmente, ao desenvolvimento da tecnologia a serviço da saúde da população, que, entre outros fatores, favoreceram o aumento da expectativa de vida.

Varias áreas do conhecimento vêm pesquisando este fenômeno pertinente às gerações, como é o caso da Sociologia, da Demografia, da Filosofia, da Psicologia e da Publicidade, com o intuito de entender o novo momento histórico.  Ater-nos-emos à visão da Psicologia, que é nosso objeto de trabalho e a qual acreditamos que possa ajudar os que ocupam cargos de liderança na compreensão e busca de soluções para os conflitos que ocorrem na convivência entre diferentes pessoas de épocas diversas.

A palavra geração, segundo o dicionário Houaiss, tem origem no latim generatione e constitui o conjunto de pessoas que têm aproximadamente a mesma idade. Hoje, geração é definida como um grupo de indivíduos na mesma faixa etária que partilham não só a localização cronológica na história como também, as experiências a ela integradas. O compartilhamento desses conhecimentos induz à formação de crenças e comportamentos comuns.

Com fundamento na teoria de Jean Piaget sobre o desenvolvimento cognitivo do ser humano, Tamara Erickson (2011) reflete sobre a maneira como as gerações interpretam os acontecimentos do mundo no período da adolescência e as deduções a que chegam, em relação ao funcionamento dos eventos e aos meios de ter sucesso na vida como um modelo conceitual.  Este, por sua vez, configura um determinante no modo como o jovem coloca-se no mundo. A autora pesquisou sobre o papel do trabalho na vida das pessoas e sobre os motivos pelos quais diferentes gerações, não poucas vezes, parecem pensar e agir de forma conflitante. A partir disso, afirma que somos modelados por influências singulares como o histórico socioeconômico, a raça, a nacionalidade, os pontos de vista de nossos pais, a formação, entre outros. Entretanto, os indivíduos que dividem uma posição em comum na história, isto é, membros de uma mesma geração, desenvolvem mapas conceituais similares ou modos semelhantes de encarar o mundo.

A compreensão do que temos em comum também fornece um contexto que nos permite compreender a singularidade de cada um. Então, é compreensível que cada geração desenvolva impressões exclusivas e assim atue sob um diferente conjunto de regras. Cada grupo terá vivenciado um mundo bem diferente quando adolescente. Essas distinções influenciam as atitudes de cada uma perante o mundo, diante do trabalho e entre si.

Para os estudiosos das gerações existem cinco gerações convivendo neste início do século XXI, são respectivamente as gerações dos Veteranos, que nasceram antes da segunda guerra mundial, dos Baby Boomers, que nasceram após a segunda Guerra, a geração X, dos que nasceram na época das crises financeiras, a Geração Y, dos nascidos na fase de expansão digital e a Geração Z, dos zapeadores, que estão crescendo com a crise da sustentabilidade do mundo.

            Como vimos, as gerações são foco de impacto na família, na sociedade e na vida profissional. Assim, os estudiosos das organizações sociais e do trabalho referem que há um ruído de fundo que se escuta nos locais em que esses trabalhadores atuam. Há uma variedade de pessoas com idades, gostos, estudos, atitudes, memórias e experiências fundamentalmente diferentes convivendo nestes ambientes. Diante de tal fenômeno, os responsáveis destas instituições necessitam estar atentos, abertos para administrar a diversidade conforme a complexidade aumenta. Acreditamos que os líderes que buscam guiar com competência são aqueles que apreciam as posições variadas e a forma dos indivíduos influenciarem os pontos de vista e comportamento de outras pessoas. Tal responsabilidade de liderança requer uma apreciação útil da diversidade maior do que foi necessária aos que comandavam no passado.

Para ajudar os grupos compostos de diferentes gerações que convivem e trabalham juntos, é necessário estabelecer regras práticas ou normas em relação a questões vistas de modos diferentes por esses grupos, uma vez que cada um vê e percebe as situações de modo próprio. Vamos citar como exemplo de divergência quanto ao tempo e local onde realizar o trabalho.  Para as gerações mais velhas, a carreira está atrelada ao tempo que o trabalhador passa no escritório, fisicamente falando. Hoje, com as novas configurações conceituais do trabalho, da sociedade do conhecimento, os jovens, mergulhados na tecnologia, aspiram por fazê-lo em qualquer lugar e em qualquer tempo.

Pensamos que para lidar com este novo universo de cinco gerações convivendo simultaneamente precisamos de líderes perspicazes, honestos e transparentes, com habilidades e competências adequadas para inspirar indivíduos nas diferentes visões de mundo e de vida. Isso porque toda geração enfrenta um conjunto particular de desafios segundo os eventos específicos com os quais se defronta ao longo de sua trajetória pela história. Assim, se compreendermos a perspectiva das pessoas de épocas diferentes da nossa, seus modelos mentais e o modo de situar-se no mundo, nos tornaremos mais aptos a lidar com elas quando necessário, e assim as chances de obtermos melhores resultados serão bem maiores, além de evitarmos julgamentos sobre as diferenças, bem como frustrações no dia a dia da vida. Lembrando que o modo como nós vemos o mundo pode não ser a maneira como as demais gerações o enxergam.

Conviver com pessoas de todas as idades e com modos de pensar e agir diferentes é de grande importância para o desenvolvimento de cada um e não menos para a renovação da sociedade. Isso pode ser facilmente verificado observando a geração Y que está trazendo para a sociedade grandes mudanças, fazendo as famílias, instituições, empresas revisarem sua cultura organizacional e estrutura de funcionamento. E como será quando a geração Z iniciar sua atuação na sociedade? Aguardemos a história. De preferência, atentos e acordados ao novo mundo que se descortina.

Lourdes Degrandis

Rosa Eliza da Silva

Categorias Artigos, Notas | Tags: | Publicado em dezembro 4, 2011

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